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segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

O rolezinho e a expressão popular das juventudes

Começa o ano de 2014 e com ele algumas questões com a periferia brasileira, com a juventude negra e sua expressão popular, dentro de um novo contexto. Os rolezinhos organizado pelos jovens da periferia estão adentrando as zonas de conforto, e os espaços de “exclusividade” de uma elite brasileira que não assimilou e não aceita as transformações que vem ocorrendo no nosso país.
O agora “famoso” rolezinho, fortemente convocado no final de 2013 e agora no início de 2014, são vistos com muita desconfiança e preconceito pelas famílias de classe média-alta que frequentam espaços como os shoppings centers. O rolezinho de 15 de dezembro no shopping de Guarulhos acabou com 23 presos, que foram liberados pouco depois. Contra eles nenhum tipo de acusação. Houve várias outras convocatórias como a do Shopping Metrô Tucuruvi, na zona norte, onde a participação de cerca de 500 jovens foi recriminada fortemente pela PM de São Paulo.
O fenômeno dos rolezinhos (centenas, às vezes milhares de jovens, combinavam para “zoar, dar uns beijos, rolar umas paqueras”, pegar geral, se divertir, sem agressão, sem roubos, sem violência.) são concentrações espontâneas de pessoas convocadas pelas redes sociais para ações em um mesmo espaço. Apenas a ocupação de um espaço até pouco tempo bem distante da realidade desses jovens, como por exemplo os shoppings nas grandes cidades.
A maioria desses jovens são influenciados pelo funk da ostentação, surgido na Baixada Santista e agora bem forte em todo o estado de São Paulo e também no Rio de Janeiro. Esse perfil musical evoca o consumo, o luxo, o dinheiro e o prazer que tudo isso dá: correntes e anéis de ouro, vestidos com roupas de grife, carros caros e utilização de espaços há pouco tempo longe da realidade.
Neste final de semana seis shoppings do Estado de São Paulo conseguiram o apoio da Justiça para bloquear a entrada dos jovens e acabar com o direito de ir e vim de qualquer cidadão. E ainda pior, autorizando policiais e seguranças privados para fazer abordagem aos jovens com perfil bem definido: menores desacompanhados, de baixa renda, negros(as), roupas largadas. Qual foi a solução para acabar com os rolezinhos? Cassetetes, a proibição de entrar no shopping e uma liminar onde o garoto ou garota indiciado terá que pagar multa de 10 mil reais. 
Qual o crime essa juventude está cometendo? A saída será mesmo as bombas de gás lacrimogêneo, bombas de efeito moral, balas de borracha e a mesma truculência e violação dos direitos civis usadas durante as manifestações do ano passado? Ou o mesmo Apartheid social e irracional que ainda impera em vários países e que ainda existe no Brasil?
O verdadeiro crime é a ausência de políticas sociais que incluam essa geração de jovens, que gere um leque de oportunidades, emancipação e autonomia e que são diariamente excluídas do convívio social.
De fato o que está em jogo são os direitos civis de uma parcela significativa da juventude brasileira, que através dos rolezinhos, acabam denunciando de uma forma criativa, o estado de exceção, a atitude vergonhosa de um estado e a expressão racista e violenta do conjunto de autoridades policiais, a ausência de políticas públicas, de espaços de lazer (pistas/quadras/ anfiteatro), de expressão cultural e a privatização das cidades e da mobilidade urbana no Brasil. Esses jovens negros da periferia, até então invisíveis, para a parcela da Casa Grande que ainda existe no Brasil, tem o desejo de construir novos horizontes, ter opções de fomentar novas narrativas de qual país eles querem viver.
O direito a livre manifestação está previsto na Constituição Federal. O que vemos hoje é a usurpação dos direitos civis e das expressões populares no nosso país
Os rolezinhos de hoje, já aconteceram em vários outros momentos da história e vai continuar acontecendo no futuro breve em contexto social diferente. Entender e valorizar as mudanças sociais no nosso país e fortalecer a diversidade da organização e das expressão das juventudes é de fundamental importância para construir um país cada vez mais justo, igualitário, livre do racismo e do preconceito e com respeito a pluralidade do nosso povo.
Que aconteçam vários rolezinhos por mais Juventude Viva, por mais espaços públicos e área de lazer, os rolezinhos contra o racismo, rolezinhos pela desmilitarização da PM, rolezinhos por um Plebiscito Popular pela Reforma Política.


É povo! É Rolê! É Juventude Viva!


Jefferson Lima
Secretário Nacional de Juventude do PT
Membro da Direção Nacional do PT

terça-feira, 4 de junho de 2013

Redução da maioridade penal: Quem Interessa?


Reduzir a maioridade penal é reconhecer a incapacidade do Estado brasileiro de garantir oportunidades e atendimento adequado à juventude, seria um atestado de falência do sistema de proteção social do País.


Defender a diminuição da maioridade penal "no calor da emoção" não garante o combate às verdadeiras causas da violência no país. A certeza da punição é o que inibe o criminoso, e não o tamanho da pena. 



É uma medida ilusória que contribui para que tenhamos criminosos profissionais cada vez em idade mais precoce, formado nas cadeias, dentro de um sistema prisional arcaico e falido. No Brasil existe a certeza da impunidade, já que apenas 8% dos homicídios são esclarecidos. Precisamos de reestruturação das polícias brasileiras e melhoria na atuação e estruturação do Judiciário e não de medidas que condenem o futuro do Brasil à cadeia.



O índice de reincidência no sistema prisional brasileiro, conforme dados oficiais do Ministério da justiça, chega a 60%, o que, indica "claramente" que se trata de um sistema incapaz de resolver a situação. Já no sistema socioeducativo, por mais crítico que seja, estima-se a reincidência em 30%.



Se colocar adultos nas cadeias de um sistema falido não resolveu o problema da violência, e essas pessoas voltam a cometer crimes após ficarem livres, por que achamos que prender cada vez mais cedo será eficiente?



Modificar a legislação atual para colocar jovens na cadeia reforça a ideia do "encarceramento em massa" o que, não é eficiente. Os jovens brasileiros figuram mais entre as vítimas da violência do que entre os autores de crimes graves.



Os números da Fundação Casa, em São Paulo, mostram que latrocínio e homicídio representam, cada um, menos de 1% dos casos de internação de jovens para cumprimento de medida socioeducativa, sendo a maioria dos casos de internação por roubo e tráfico de drogas. Além disso, o último Mapa da Violência indica que a questão a ser encarada do ponto de vista da política pública é a mortalidade de jovens, sobretudo, dos jovens negros, e não a autoria de crimes graves por jovens.



Segundo o último Mapa da Violência, de cada três mortos por arma de fogo, dois estão na faixa dos 15 a 29 anos. De acordo com a publicação, feita pelo Centro Brasileiro de Estudos Latino-Americanos e pela Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais, os jovens representam 67,1% das vítimas de armas de fogo no País.



Precisamos mudar o foco do discurso, elaborar melhor nossos argumentos! Concentrar em soluções imediatistas é tentar corrigir um erro cometendo outro. Apenas reivindicar a redução da maioridade penal é sustentar um discurso vazio, que no fundo quer dizer que “eu não quero perto de mim o criminoso, mas me importo muito pouco com as causas desse cenário e muito menos com o que será desse jovem”. É preciso que os setores organizados da sociedade de fato se comprometam na busca de soluções para reduzir a violência e para permitir que os jovens vivam em toda a sua plenitude, e como cidadãos, essa fase tão importante de suas vidas.

Gabriel Villarim é Conselheiro Tutelar

terça-feira, 19 de março de 2013

O presente é de luta. Avante, Juventude do PT!



Por Jefferson Lima


Continuar avançando é preciso, muitos desafios estão por vir e uma das grandes prioridades apresentadas ao conjunto da JPT é a municipalização da nossa juventude e a articulação social. As eleições municipais trouxeram um novo cenário, e um conjunto de novos desafios.
“O trem da juventude é veloz
Quando foi olhar já passou
Os trilhos do destino cruzando entre nós
Pela vida, trazendo o novo.” (Paralamas do Sucesso)

O ano de 2013 chega e com ele muita luta para Juventude do PT, dando continuidade ao vitorioso primeiro ano de gestão.
A gestão iniciou com grandes desafios e tivemos o momento de grande importância e protagonismo na eleição do Conselho Nacional de Juventude (Conjuve), mostrando a força da militância da JPT e a nossa capilaridade nos movimentos sociais. O campo liderado pelo PT saiu vitorioso no processo de eleição do Conselho. Esse espaço é fundamental para avançar nas discussões e conquistas das políticas públicas para a juventude brasileira.
Um segundo momento, sob a égide do 2º Congresso da JPT e as premissas do Conselho Político, a direção nacional da JPT construiu dois momentos de formação políticas fundamentais. O primeiro foi à realização do Seminário Nacional da Juventude Negra 13(JN13), espaço importante de debate e de construção da agenda da juventude negra. Veja resolução política aprovada no seminário;
O outro processo foi um marco na história da nossa Juventude. Pela primeira vez foi realizado um seminário para debater a pauta ambiental e os desafios da sustentabilidade. Este subsidiou a participação na Rio+20 e na Cúpula dos Povos. Além de qualificar a intervenção da juventude do PT conquistamos um novo patamar no debate da agenda ambiental. Veja resolução politica do seminário ambiental;
O ano de 2012 também foi um ano eleitoral e a nossa prioridade foi mobilizar a juventude petista em todo o Brasil, fortalecer a militância para ampliar nossos espaços nos legislativos e executivos municipais. Estivemos em mais de sessenta municípios em todos os estados deste Brasil, mobilizando, debatendo, colocando a juventude na pauta das candidaturas majoritárias e fortalecendo nossos postulantes ao parlamento municipal. Apresentamos uma linha política de fortalecimento das PPJs nos municípios, avançando na necessidade real de emancipação dos jovens brasileiros. O resultado no final foi à eleição do maior número de jovens petistas em cargos eletivos da história do PT.
Continuar avançando é preciso, muitos desafios estão por vir e uma das grandes prioridades apresentadas ao conjunto da JPT é a municipalização da nossa juventude e a articulação social. As eleições municipais trouxeram um novo cenário, e um conjunto de novos desafios. A Juventude do PT cresceu no parlamento e no executivo municipal no país e é fundamental aprofundar o debate das PPJs nas gestões e legislativos municipais. Fortalecer o debate e construir ações concretas com perspectivas de melhorar a qualidade de vida da juventude brasileira. Essa oxigenação na política brasileira, liderada pelo PT, com certeza acarretará em mais benefícios e avanços para o nosso país.
Este é o ano do decênio do governo do PT, bem como de muita luta social e de fortalecimento interno da juventude. Realizamos no final do mês de fevereiro nossa reunião do Conselho Político, com uma vasta discussão em cima de temas como a relação da JPT com os movimentos sociais, o debate do balanço da década, reforma política, a integração latino americana, organização interna da JPT entre outros.
É prioridade o enfoque na formação que os jovens petistas vêm passando e que pretendemos intensificar a partir da parceria com a Escola Nacional de Formação do PT e a Fundação Perseu Abramo, ligado diretamente com a jornada de lutas, colocada para o primeiro semestre deste ano.
O conjunto da Juventude do PT vai construir com o partido, a campanha da reforma política, o debate necessário sobre a democratização da mídia, a luta contra o extermínio da juventude, contra a redução da maioridade penal, e por mais avanços na educação através dos 10% do PIB e 100% dos royalties.  A unidade dos diversos movimentos de juventude fará com que possamos ter mais conquistas e aprovar as reformas estruturantes e necessárias para o Brasil. O desafio é aumentar nossa mobilização social através das jornadas de lutas da juventude e avançar no processo de formação dos jovens petistas.
Outra pauta fundamental para nossa juventude será a implementação dos 20% de jovens em todas as direções do nosso partido no PED deste ano. Esse momento será novo na história do PT e na história da política brasileira. A reserva das vagas nas direções municipais, estaduais e nacional para filiados com até 29 anos, possibilitará uma intensa renovação entre os dirigentes partidários em todos os níveis, abrindo espaço para que as novas gerações de lideranças possam assumir responsabilidades reais no comando do PT. Os jovens petistas terão mais condições para contribuir com o PT forte, mobilizado e renovado.
Além destas importantes pautas e agendas, teremos com certeza mais momentos marcantes na política da Juventude do PT e brasileira este ano, através de momentos como o ENEPT (Encontro Nacional de Estudantes do PT), seminário de jovens mulheres, festival de arte, cultura e sustentabilidade, encontro das juventudes partidárias, do Foro de SP e colóquio dos movimentos sociais.
O saldo político destas agendas fará com que o conjunto da militância jovem do PT tenha uma ação mais protagonista nas eleições estaduais de 2014 e na reeleição da nossa presidenta Dilma.
A luta continua!
Jefferson Lima é secretário nacional de Juventude do PT

sábado, 21 de julho de 2012

Um Novo Mundo é Possível


Por Helder Quiroga*

 

O mundo vem passando por diversas transformações que englobam desde o avanço das novas tecnologias às formas de apreensão de conhecimentos através das redes sociais e movimentos político culturais. Novas concepções territoriais estão sendo criadas a partir da aproximação entre culturas proporcionadas pelos avanços no campo da comunicação através da internet, do aprimoramento das telefonias móveis e principalmente da necessidade de diálogo entre os povos.

A capacidade de improvisar diante das circunstâncias econômicas, politicas e sociais do mundo atual tem sido uma forma de envolver novas lideranças juvenis.

Neste âmbito de mudanças de comportamentos e do surgimento de novas concepções de atuação política, a juventude se apresenta como elemento fundamental para os processos de transformação social num mundo globalizado e multicultural. Não somente no que tange as iniciativas de mobilização social, mas também pela urgência de ações ideológicas que compreendam o conceito de uma cidadania global.

Quando citamos o termo cidadania global, estamos nos referindo à revisão de valores e princípios que busquem de algum modo dar relevância a elementos fundamentais para a convivência dos povos, tais como: a importância dos Direitos Humanos como forma de valorização da autonomia, da diversidade e do respeito ao indivíduo dentro da coletividade e da importante consciência de coletividade no individuo; nos referimos também, a valorização do meio ambiente como elemento de desenvolvimento econômico, social e cultural, nas relações entre o homem e a natureza, do resgate e preservação das culturas tradicionais e da sustentabilidade  como principio educacional.

Dentro deste contexto fica cada vez mais clara a importância dos trabalhos realizados por ONG’s e coletivos culturais que tem a juventude como principal segmento de atuação. Segundo dados da ABONG – Associação Brasileira de Organizações Não Governamentais, existem hoje no Brasil cerca de 338 mil organizações sem fins lucrativos divididas em cinco categorias: 1. que são privadas, não integram o aparelho do Estado; 2. que não distribuem eventuais excedentes; 3. que são voluntárias; 4. que possuem capacidade de autogestão; e, 5. que são institucionalizadas.

No Brasil uma série de ações fomentadas pelo terceiro setor vem ganhando força no combate a violência e as desigualdades sociais junto aos jovens de periferia, e também de classe média. Exemplos como as ações educativas coordenadas pela Eletrocooperativa (Bahia), Movimento Fora do Eixo (Cuiabá), Duelo de MC`s (Belo Horizonte) e Afrorregae (Rio de Janeiro), são algumas das inúmeras iniciativas que vem dia a dia lutando para conquistar a emancipação de jovens que buscam na Cultura sua forma de restituição da cidadania.

Trabalhar na fronteira da miséria e das desigualdades sociais é uma características das ONG’s, que embora hajam situações que destoam da importância deste segmento de ação politica e social, o terceiro setor ainda é uma das vias mais saudáveis para o trabalho voltado a transformação social da juventude brasileira.

A valorização da diversidade cultural, o combate as desigualdades, a proteção do meio ambiente, e a defesa dos Direitos Humanos tem sido eixo de diversas ações focadas na aproximação dos povos e na construção de diálogo entre culturas e dos trabalhos desenvolvidos pelo Terceiro Setor.

Deste modo, a capacidade de improvisar diante das circunstâncias econômicas, politicas e sociais do mundo atual, atuar junto às organizações não governamentais tem sido uma forma de envolver novas lideranças juvenis e produtores culturais, catalisando sua capacidade de atuar num contexto global estimulando e fortalecendo as potencialidades criativas em cada região utilizando o terceiro setor como ambiente de trabalho e mobilização social. Acreditamos que um novo mundo é possível, mas mais possíveis são nossas atitudes para transformá-lo com sensibilidade, diálogo e coerência.


*Helder Quiroga é coordenador da ONG Contato, Belo Horizonte – Brasil