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sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

A globalização/uniformização da cultura/monopólio da informação!



Sempre que penso na globalização meus olhos volta-se para a perspectiva de uma imposição de cultura[1], ou manutenção da cultura hegemônica, referindo-me a cultura euro-ocidental. Como essa imposição dá-se por meio de sua replicação, uma das principais ferramentas é a educação formal, dentro da educação ainda temos uma uniformização da realidade, sem um olhar diferenciado para o local, criando-se a imagem de uma igualdade infelizmente artificial.

Todos os sistemas de valores ditados impõem a cultura hegemônica individualista como verdade a ser seguida, traduzida no consumismo desenfreado e na visão das desigualdades sociais como algo normal; tirando do foco fatores como a questão de perspectiva social de vida, oportunidades, criando mitos como “pobre é pobre porque não trabalha”; “se um pobre trabalhar duro pode um dia viver melhor”, mas questões como “por que alguns não precisam trabalhar e já gozam das regalias”? São simplesmente ignoradas!

Esse modelo de uniformização da realidade são pacotes fechados onde não cabem acréscimos e devem ser seguidos a risca, como se a sociedade fosse semelhante a uma receita de bolo, pega-se a historia escrita pelas classes dominantes, acrescenta-se uma pitada de matemática para o individuo calcular o quanto ele está fudid..., um pouquinho de religião para manter o conformismo, geografia para demonstra a importância da dominação humana sobre a natureza, separa-se tudo em porções pequenas, dadas separadamente, pois dentro da sociedade dita globalizada, ainda pensamos a realidade em pedaços, frações de um inteiro, quando na verdade deveríamos ver o inteiro e só depois pensar em tentar fracioná-lo, assim não escondendo nessas frações detalhes que as ligam intrinsecamente.

E a esse individuo, treinado pela sociedade globalizada para replicar o sistema, não lhe é dado o direito de questionar, a chance de construir, contribuir, tudo que ele sabe que aprendeu fora desse sistema, que seus pais lhe ensinaram, que as gerações de seu povo utilizavam, não passa de nada, não é conhecimento é sub-cultura deve ser abandonado, pois não é “cientifico”. Mas o que é cientifico? nada mais do que aquilo que a sociedade cientifica considera que o é; não questiono aqui a leis gerais da física, mas sim o porque dentro desse sistema tenho de me submeter a um empregador que me faz trabalhar 8 horas diárias e que obtém seu lucro na exploração de meu trabalho! Porque tenho de estudar a formação do continente europeu e não a do africano? Quem deu o direito para um homem ser o dono do mundo? Não uniu-se o homem em sociedade para a sobrevivência da espécie? Porque essa mesma sociedade quer acabar com ela mesma agora em beneficio de pequenos grupos de interesses?

Pensar a sociedade desse modo é negar a capacidade do ser humano de ser diferente, lhe dizer que os modos de aprender devem ser os mesmo para todos, pois somos iguais! É matar a capacidade inventiva do homem, a globalização seria um movimento ótimo se não fosse como uma imposição, esta se pensada como uma crioulização[2] onde os vários elementos heterogêneos colocados teriam uma relação de inter-valorização, onde não há uma degradação ou inferiorizarão de nem um dentro desse mix, sem um norte ao acaso, uma “globalização natural” onde não haveria uma cultura hegemônica para que as outras fossem apenas termos acessórios, que são incluídos apenas quando convém, como acontece atualmente, seria a salvação para a terra, pois ao pensar nessa uniformização, que os intelectuais chamam de globalização, vemos o quanto esse termo é excludente, pensemos nos seus maiores pregadores.

Os USA, pregam a globalização como se fosse algo bom e que se igualariam as culturas onde os benefícios desta seriam para todos, mas vivem metendo-se nas economias menores, protegem seus produtos com subsídios, atacam sem motivo países que não seguem o seu “modelo de democracia”, a União Européia, compactua com tudo isso e pratica exatamente as mesmas modalidades de atrocidades globalizadas, ou melhor globalizantes, são extremamente xenófobos e apregoam uma supremacia, cultural, eu digo a única supremacia deles é bélica!

Impressiona-me ainda o modo como essa questão de uniformização globalização atinge apenas os âmbitos que os interessam, pensemos a questão da informação, e sabido de todos, o poder de libertação que a informação carrega, e o maléfico que sua manipulação dissemina, logo vemos o poder que a mídia escrita e áudio visual tem de influenciar as massas, não me refiro aqui a um simples jornaleco que faz uma política medíocre, esse também faz seu papel manipulador porem e manipulado em um âmbito maior, mas dos grandes formadores de opinião que definem as noticias em âmbito global que possuem sede em vários países que são ditos respeitáveis, estes que decidem o que o mundo pensa a respeito de determinado assunto!

Mas tenho uma esperança, a internet, que nessa perspectiva considero o “Lutero das mídias”, quer fazer uma mudança, reforma, mostrar que nem tudo que a TV passa é verdade que nem tudo que nos é mostrado é o todo, mas assim como Lutero a net encontra a barreira da acessibilidade, nem todos no tempo de Lutero sabiam ler latim, logo as bíblias em latim não valiam nada era preciso popularizar, creio que esse é o caminho de que devemos tomar, popularizar, imaginemos o numero de pessoas que ainda são analfabetos digitais, a quantidade de indivíduos que são privados do saber, o numero de livros aos quais não temos acesso, o volume de informação que uma pequena parcela da sociedade detém, e o que eles nos dão?, os pacotes fechados!, onde eles escolhem o que devemos ou não saber, e quanto devemos pagar pra saber, respeito as leis de patentes mas entre “um” dono de uma patente e a “humanidade” não preciso dizer quem deve esta em primeiro plano.

Eu digo sim para a globalização da diferença, e não a globalização da uniformização, espero estar vivo no dia que a informação abrir os olhos da humanidade espero fazer parte desse movimento, não somos iguais, um dia nos unimos para sobreviver creio que esses tempos voltaram.


[1] Falo em cultura por entender que ela que norteia as decisões dos homens, vista aqui como um conjunto de valores arraigados no individuo consciente e inconscientemente apreendidos.
[2] (termo utilizado por Glissant em Introdução a uma poética da diversidade, diferente da mestiçagem ele coloca a impossibilidade probabilística de saber o que vai dar, como diria Falcão de O RAPA, “...só misturando pra ver no que vai da...”)

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

EDUCAÇÃO PARA LIBERDADE


A educação sob a perspectiva do capitalismo apresenta-se como uma imposição de cultura, falo em cultura por entender que ela que norteia as decisões dos homens, vista aqui como um conjunto de valores arraigados no individuo consciente e inconscientemente apreendidos, a cultura resulta da história de relações que se dão entre os próprios homens e entre estes e o meio ambiente;

Como essa imposição dá-se por meio de sua replicação, um dos veículos mais eficazes é a educação formal, dentro dessa educação sistêmica busca-se uma uniformização da realidade, são negadas as diferenças e não se tem um olhar para as regionalidades, para as culturas e seus diversos matizes.

Essa educação uniformizada prima por atingir uma “igualdade de aparências”, de costumes e por que não dizer de traços físicos e culturais; Norteada pelo padrão dos grupos hegemônicos, temos uma educação de cabresto, pronta a cegar a sociedade, e fazê-la cometer os mais sutis enganos, ao ponto da sociedade crer que uma criança tornar-se "marginal" por ser dotada de má índole (ela tem sangue ruim), ocultando as relações sociais de exclusão, que influenciam toda ação. 

Essa educação segmentada nos forma, e deforma, em trabalhadores calados e submissos, perpetuando-se assim o consumismo desenfreado das classes mais abastadas e as desigualdades sociais; São pacotes fechados de “educação”, onde não cabem acréscimos e que devem ser seguidos à risca, como se o ato de apreender se assemelhasse a uma receita de bolo, se pega a historia escrita pelas classes dominantes, acrescenta-se uma pitada de matemática, um pouquinho de religião para manter o conformismo, geografia para demonstra a importância da dominação humana sobre a natureza, separa-se tudo em porções pequenas, dadas separadas, pois dentro de um mundo dito globalizado, ainda temos uma educação que faz pensar a realidade em pedaços, frações de um inteiro, quando na verdade deveríamos ver o inteiro e só depois pensar em tentar fracioná-lo, assim não escondendo nessas frações detalhes que os ligam intrinsecamente.

Esse individuo que essa educação forma, ou conforma, ou melhor deforma, é treinado para replicar, não lhe é dado o direito de questionar, a chance de construir, contribuir, tudo que ele sabe, que aprendeu fora desse sistema, que seus pais lhe ensinaram, que as gerações de seu povo utilizavam, não passa de nada, não é conhecimento é sub-cultura deve ser abandonado, pois não é cientifico.

Mas o que é cientifico? Nada mais do que aquilo que a sociedade cientifica considera que o é. Não se questiona aqui a leis gerais da física, mas sim o por que dentro desse sistema temos de se submeter a um empregador que nos faz trabalhar 08 horas diárias e que obtém seu lucro na exploração de meu trabalho!, porque tenho de estudar a formação do continente europeu e não a do africano? Quem deu o direito para um homem ser o dono do mundo? Não uniu-se o homem em sociedade para a sobrevivência da espécie? Porque essa mesma sociedade quer acabar com ela mesma agora em beneficio de pequenos grupos de interesses!

Pensar a educação desse modo é negar a capacidade do ser humano de ser diferente, lhe dizer que os modos de aprender devem ser os mesmo para todos e que todos devem aprender as mesmas coisas, é matar a capacidade inventiva do homem, a educação não deve prender, ela é a liberdade ela é uma mistura do que eu sei com o que você sabe acrescida da impossibilidade probabilística de não se saber o que vai dá. Uma “educação para a liberdade” onde não haveria uma cultura hegemônica para que as outras fossem apenas termos acessórios, que são incluídos apenas quando convém, como acontece atualmente, seria a salvação para a terra, pois a uniformização mata e a diversidade é vida!

Precisamos de uma educação diferente, que conheça a realidade dos indivíduos, que os auxilie, que lhe de uma oportunidade de crescer social e profissionalmente, que vá muito além de dados quantitativos, ela deve ser a descoberta do dia a dia, deve ser um espaço onde possam haver trocas de experiências entre gestores, professores, alunos, entre seres humanos, uma educação com responsabilidade social, uma escola que seja chamada de lar, para onde o aluno queira ir, onde o professor se orgulhe de trabalhar, uma educação publica e de qualidade como rege a constituição federal brasileira.